Sylvia Bloom – uma secretária americana que acumulou mais de US$ 8 milhões

Quem viu a história de Sylvia Bloom – uma americana comum, que trabalhava como secretária e que acumulou mais de US$ 8 milhões, sem que ninguém soubesse?

Pois é, é isto mesmo. Foi notícia em todo o mundo, como se pode ver aqui:

The New York Times: 96-Year-Old Secretary Quietly Amasses Fortune, Then Donates $8.2 Million

CNBC: A 96-year-old secretary amassed a secret $8 million fortune—here’s how

Corriere della Sera: New York, l’insospettabile segretaria milionaria che ha lasciato 8,2 milioni in beneficenza

Época Negócios: Secretária de 96 anos acumula US$ 9 milhões em segredo e doa maior parte

UOL: Secretária de 96 anos acumula fortuna discretamente e doa US$ 6,2 milhões

Infomoney: Como uma secretária de 96 anos acumulou uma fortuna secreta de US$ 8,2 milhões

Resumo meu

Sylvia Bloom, foi uma cidadã estadunidense comum, sem privilégios sociais.

Era casada, sem filhos e trabalhou por  mais de 6 décadas como secretária num escritório de advocacia em Nova Iorque. Já naquela época, ser secretária era também cuidar de assuntos pessoais do patrão, o que inclui o lado financeiro.

As reportagens citam que Sylvia ao realizar um investimento (a compra de determinada ação) para o patrão, repetia o mesmo para si, evidentemente, em proporção diferente pela sua capacidade financeira. Evidentemente, Sylvia Bloom acumulou patrimônio e teve os juros e as boas escolhas a seu favor.

Ela trabalhou até 2013 e faleceu em 2016, com 96 anos. Ao ter o seu testamento revelado, descobriu-se Sylvia cuja vida toda sempre foi muito tranquila, simples como qualquer cidadão comum, havia deixado em doação alguns milhões de dólares para algumas instituições com projetos sociais.

Reflexões que me fiz

1. qual foi a motivação de Sylvia em não viver sua Independência Financeira (IF), tendo trabalhado até uma idade avançada. Quer dizer, é ao contrário dos que buscam a IF (me incluo nesta), que é viver a vida com mais liberdade de escolha e tempo para si;

2. qual o sentido de nem o marido dela saber do patrimônio. Estranho é pouco. É óbvio, como são matérias jornalisticas sem o lado de Sylvia e do marido (ele), ambos falecidos, é possível que uma parte da história esteja ofuscada. Avalio 2 hipóteses: (i) ele sabia e concordava com ela em manter sigiloso o tal patrimônio e de não usufruir ou muito pouco do patrimônio construído; (ii) ele não sabia (que pena que ela não está viva para nos dizer como fez isto por tanto tempo!!) e como ela não usufruía nada do patrimônio, nem desconfiava;

3. Achei que todas as matérias subestimaram a inteligência da secretária, de nome Sylvia Bloom. Dá se a entender que, se ela não tivesse “copiado” as decisões de investimento do seu patrão, não teria sido capaz e/ou tido sucesso. Acredito que Sylvia era uma mulher inteligente sim e que ao observar os sucessos e/ou compra de ações contínuas do seu chefe bem sucedido e experiente no mercado, no mínimo pesquisou, testou e acompanhou o mercado acionário na prática, para si. Achei depreciativo à Sylvia, nas entrelinhas, a maneira com as matérias a aborda.

Aprendizados

Ah, aqui vem a parte mais legal. Realmente pensei por uns 2/3 dias sobre a Sylvia, as suas atitudes, os porquês, etc.

E tirei aprendizados:

(a) que mesmo não ganhando rios de dinheiro, saber onde investir, investir, aportes constantes e tempo farão sim, a construção de um patrimônio palpável;

(b) não importa quais são os objetivos de cada um, patrimônio pode servir à família, a si próprio e/ou as pessoas ou instituições mais necessitadas. Posso eu, você, nossos familiares, amigos, qualquer um, não concordarmos;

(c) viver uma vida produtiva e com propósitos, pode nos ajudar a viver mais;

(d) uma vida frugal faz gastar menos do que se ganha, ter uma dimensão mais real da vida e sociedade (sobretudo mais sensibilidade dos problemas sociais) e ainda afastar qualquer desconfiança de que você tem patrimônio suficiente para viver a vida, sem se preocupar com o “vende almoço pra pagar a janta”;

(e) que não quero trabalhar até 90 e tantos anos pra outra pessoa não, como fez a Sylvia! E que quero curtir mais, talvez como acho que ela não tenha curtido;

(f) que desejo, sobretudo quando quando não precisar vender o almoço pra pagar a janta e estiver vivendo de dividendos, ter os pés no chão e não perder de vista os meus valores e ser sensível aos que precisam de uma mão;

E que a história de Sylvia Bloom sirva de inspiração para seguir em frente, construindo, evoluindo, com objetivos, valores e propósitos!

2 comentários sobre “Sylvia Bloom – uma secretária americana que acumulou mais de US$ 8 milhões”

  1. Ela era muito inteligente mas como todo americano (ou 90% deles) só pensam em trabalho. Só sabem viver trabalhando. Uma cultura tipo aquela da união soviética da lavagem cerebral só que para o lado capitalista obviamente.
    A pessoa lá vive para trabalhar e enriquecer o seu país e não prevê que o cidadão aproveite os frutos do seu trabalho a não ser para comprar bens materiais para fazer dos EUA continuar a ser a maior potencia.
    Morei e trabalhei lá e poucos se dão conta que é igualzinho a URSS para o outro lado.

    1. Caro AA40,
      Obrigado pela visita!
      Difícil saber qual era exatamente o caso da Sylvia Bloom. Mas a leitura que faço por meio da história divulgada é que ela não foi este tipo capitalista selvagem. Ficou no mesmo emprego por décadas, viveu de maneira frugal e acima de tudo, doou boa parte da sua grana… o que demonstra pouca ou nenhuma ambição.

      Um abraço;
      @-@

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